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sábado, 5 de Julho de 2014

Engano-me e sei

Quando não venho escrever é porque "bati no chão". A escrita é para mim um escape, um momento de bem-estar, uma benção, quando não consigo nem abrir o computador é porque estou depressivamente deprimida. Tenho andado assim e tudo me serve para ficar mais depré: vou às compras e os vestidos não me caiem bem, visto o 44 e não consigo vestir o 42, mas privo-me de comer gelados, comida mais calórica, ando um pouco todos os dias, e faço yoga 2 x semana. Se sei o que preciso fazer? Acho que sei, lido com situações semelhantes todos os dias:
Menopausa, ninho vazio, excesso de peso e hipertensão + intolerância à glicémia, ou mais vulgarmente conhecida, pré-diabetes, com humor lábil, por vezes, poucas, lágrimas, um sorriso.
Diagnóstico - depressão versus bipolaridade lábil, sedentarismo, o resto vem por acrescimo.
Programa a curto prazo - incluir na dieta os vegetais diários em quantidade, retirar as gorduras e o açucar, comer apenas as 3 peças de fruta e beber regularmente os 2 litros de água. Caminhar 1 hora por dia e manter o yoga.
Programa a médio prazo - uma viagem
Programa a longo prazo - deixar de ser doida e cumprir com o programa a curto prazo, preserverança total, escolher roupa boa ou mandar fazer, já não tenho o corpo que tinha mas não sou de "deitar fora" e o 44 não é de todo um número difícil.
Então porque me deixo enredar em mim e deixo-me dia após dia ser invadida por esta tristeza? Que se passa na minha cabeça que comanda todo o meu corpo, até o meu metabolismo?
Escrevo e encontro-me na escrita, uma folha branca de papel é para mim um verdadeiro anti-depressivo, então porque me acanho e me fecho sobre mim que nem um caracol, sem querer ver o sol?
Penso que quando começar a reforma vou fazer tudo o que agora não consigo, porque chego a casa muito cansada! Engano-me e sei! Sei que se me mexer tenho mais capacidade para o trabalho e reduzo o nível de depressão, sei isso tudo, ensino isso diariamente e que faço?
Tudo ao contrário, não fosse o meu PQ e já cá não estava, a depressão mata. Não preciso tomar medicação porque o tratamento está dentro de mim. Andei tanto tempo na Alice, ela achou que eu estava melhor, disse-me que não precisava mais ir ter com ela, e eu disse que sim.
Andei no Dr. Bráulio, eu achei que estava melhor, disse-lhe que não merecia a pena continuar a ir ter com ele, sentia-me melhor, ele sorriu, disse-me que quando precisasse podia sempre voltar, e eu disse que sim.
Mas tenho andado este tempo todo a dizer-me que não.
Que o tempo quente se mantenha, que o sol não me abandone e eu vou ganhar forças para reduzir os meus níveis de depressão, reduzir o meu sedentarismo, dizer-me que sim, gostar de mim.

quarta-feira, 28 de Maio de 2014

Repetições


Desde há cerca de 20 anos que escrevo para o nosso jornal aqui da vila, desta vez apeteceu-me transcrever o artigo que escrevi para o mês de Abril de 2014.
 "A Nossa Saúde
Repetir é uma das formas que temos para aprender, fazemos isso em crianças, para aprender as primeiras palavras, fazemos isso para decorarmos matéria para os exames, continuamos a repetir-nos quando temos mais idade, para não esquecermos. Não faz mal repetir, falar e falar sobre o que nos atormenta ou pelo contrário, falarmos das coisas que mais adoramos ou até das que nos metem medo. Comemorar datas, aniversários, épocas festivas religiosas ou pagãs, Natal, Páscoa, equinócios ou carnavais, são importantes para nos libertarem da rotina, para nos fazerem acreditar que há mais vida para além do défice, da corrupção de influências, das burlas económicas / financeiras, dos ajustes orçamentais que acabam sempre na redução de salários, pensões e afins.
Abril é mês de revolução, passados 40 anos, é preciso continuar a repetir e a falar da liberdade, das conquistas, das perdas, dos ganhos, dos sonhos, porque sonhar é preciso.
Em cada dia que passa, sou confrontada cada vez com mais frequência com sonhos perdidos, com vidas destroçadas, com dores e lutos, então preciso agarrar-me a sonhos para poder lidar melhor com a realidade que me entra consultório dentro.
Partilhar faz bem, por isso partilho. Não sei como ajudar a resolver uma das últimas questões que me foi dado tomar conhecimento:
- F.P. homem com 68 anos, com cancro do colon, colostomizado, a viver sozinho, numa habitação que ainda não visitei, mas que sem grande esforço imagino, com uma higiene deficiente, procura-me por dor forte no membro inferior esquerdo. Depois de ter efectuado o exame objectivo, confrontei-me com um emagrecimento marcado, de ter o diagnóstico agravado com uma anemia ferropénica, de ter decidido a terapêutica para a dor que o trouxe à consulta, olhando bem para ele percebi que estava triste demais, por isso ficámos mais um pouco e conversámos sobre a vida, a sua vida, a sua solidão, e sugeri:
- E se fosse passar um tempo com o filho?
-Não, não posso, ele tem uma casa muito pequenina, só tem 2 quartinhos, tenho 2 netas, não pode ser!
- Então e se fosse passar o dia ao Centro de Dia tinha companhia, tratavam-lhe da roupa, da comida, sentia-se talvez melhor senhor F.P.  
- Não senhora Doutora!
Choramingando, continua em surdina:
-O meu filho está desempregado, o dinheiro que tenho da pensão é para ele!
E ficámos em silêncio.
É preciso repetir, tantas vezes quantas as necessárias, para aprendermos, para decorarmos, para não esquecermos."
Cada um de nós tem cerca de 30 histórias para contar ao longo da nossa vida, parece que eu vou arranjado um pouco mais. 
Ultimamente tenho tido dias com muita preguiça, muito cansaço e o sono agarra-me em cada momento em que me sento para descansar. Espero com o chegar do Verão que as coisas melhorem, o tempo quente sempre me fez bem, e as tardes no meu quintal dão anos de vida. Vamos ver! 

domingo, 11 de Maio de 2014

Paciência

Estou um bocadito agoniado com a época de caça ao voto que se vai iniciar hoje, cada vez acho que os políticos são mais aldrabões, mas não são só os nossos, os políticos são igualmente aldrabões por esse mundo fóra. Não sei o que é possível fazer para que esta carneirisse deixe de existir, esta possibilidade de votar sempre nos mesmos devia poder ser alterada, mas não sei como, quem quer ser o novo 1º ministro? Faz-me lembrar a história da carochinha, que se pôs à janela: quem quer casar com a carochinha que é bonita e formosinha? Não tenho paciência para esta gente!
 Não vi o festival da canção, vi apenas "aquela figurinha" que ganhou, homem, mais mulher que homem, vestido à mulher com todos os trejeitos de uma menina tonta, com uma barba ridícula, e ainda por cima vindo da Áustria, o que é que se passa? O mundo está a mudar ou está tudo doido?  Não tenho paciência para esta gente!
O professor Marcelo diz que está tudo doido, quando comenta a política nacional, eu digo que está tudo doido, mas o mundo em geral.
Assusta-me a minha querida neta estar a crescer numa doidice destas, o que vale é que ela parece estar a crescer tranquilamente, com os pézinhos bem assentes no chão, esta primavera já aprendeu a gostar de caracóis o que é bom, já faz companhia.
A falta que faz ter companhia, antigamente ficava muito contente quando ia a Cabeção e percebia o contentamento dos meus pais quando a gente chegava, depois quando a família começou a crescer já não sabia se ficavam contentes por mim, ou apenas porque a família era cada vez maior, agora percebo um bocadinho, ficamos contentes com a companhia, ponto. Primeiro ficamos contentes com as filhas, depois ficamos ainda mais contentes porque para além das filhas ainda temos os seus homens e ainda mais contentes ficamos quando começam a  aparecer os netos, no nosso caso, ainda só uma neta. Ficamos contentes sobretudo e acima de tudo que gostam de nós como gostamos deles todos, ficamos contentes que nos beijem como gostamos de beijar, que nos cocem as costas como  gostamos de fazer massagens nas costas, nos pés, em todo o lado, ficamos contentes porque podemos conversar ao vivo, cada vez gostamos mais de conversar ao vivo, sem ser pelo telefone, skype e afins, como gostamos de conversar frente a frente, gostamos também e muito dos silêncios, porque são silêncios tão saborosos, silêncios acompanhados, são do melhor que há. A felicidade que é apenas poder sentir que não estamos sós em casa, a nossa casa fica demasiado grande quando estamos sózinhos.
Afinal não me assustam só os políticos, também me sinto assustada com a solidão. Tenho muita coisa que fazer, mas fico enrolada sobre mim, a pensar, a sentir, a fazer de conta que leio, a sonhar, a não fazer nada, é assim a preguiça ou tão só a possibilidade de descansar?
Baralhada, ainda ando muito baralhada, estou um bocadito farta de mim!   

terça-feira, 22 de Abril de 2014

Uma questão de bom senso

A Primavera tarda em chegar e nós cá vamos andando com a nossa depressãozinha. Hoje fui ao cabeleireiro e arranjei os pés e as mãos, pois as 3, eu e as duas pequenas que me prestaram cuidados, as 3 estavámos todas com uma neura difícil de avaliar qual a maior, caso isso fosse possível. Por um lado foi bom perceber que não estou sózinha nesse sentir as emoções, mas por outro, assustou-me: se contabilizassemos as pessoas com falta de vontade para executar a mais pequena tarefa, seria um número impressionante. E se para além dessa contabilidade, ainda fossemos contabilizar a quantidade de pessoas que têm pensamentos auto destrutivos ainda era pior, vale é que o que predomina no fim é o bom senso. Dizia-me a cabeleireira com um olhar de sofrimento:
- Não imagina a quantidade de vezes que passo na ponte 25 de Abril e fecho bem as janelas, acelero o carro, sabe, quanto mais depressa passar, menos probabilidade vou ter de parar e atirar-me lá de cima.
Ollho-a e vejo um sofrimento imenso, uma face triste, com uns olhos que já desistiram, mas uns lábios esborratados de baton vermelho a pedirem: olhem por mim, preciso de colo, e continuou:
- Acho que o meu problema maior são os meus traumas de infância, ainda guardo da minha infância esses problemas, agora com 50 anos de idade parece-me que cada vez estão mais perto de mim.
Não preciso dizer nada, ela vai continuando a desfiar o seu sofrimento, olho-a com compaixão e com vontade de lhe prestar os meus cuidados ali mesmo, mas o barulho do secador com a música de fundo, e a minha audição a 40% não permitiram mais do que um sorriso de compreensão e no fim cedo-lhe o telefone da minha psicóloga, as 2 ficaram de marcar consulta.
Que sofrimento é este que nos faz pensar e dizer coisas que sabemos melhor que ninguém que estão errados? O que precisamos fazer para alcançarmos um pouco mais de felicidade? O que precisamos fazer para sermos capazes de amar, amar perdidamente,... amar mais este aquele o outro e toda a gente... amar, amar e não amar ninguém...Os poetas transformam em arte a sua depressão, os artistas plásticos em belas telas, os músicos em belas sinfonias, nós, os simples, não transformamos nada, apenas nos lamentamos, nos queixamos, sofremos sem qualquer transformação, lambemos, lambemos, lambemos, até ficarmos cansados, com as feridas a sangrar...
Decidi que mesmo que a Primavera este ano não chegue eu vou começar a andar, começo amanhã, por isso hoje comprei todo o equipamento, andar aumenta a dopamina, hormona de felicidade, andar, andar, andar só por andar vai fazer-me bem.

segunda-feira, 21 de Abril de 2014

Tristeza

Passou o Natal, o Carnaval, a Páscoa, os meus anos, e o aninho da minha neta, tão pouco tempo que passou e tantas as emoções para guardar no meu coração. Ainda sinto o peso do Inverno no meu corpo, todas as minhas células reclamam pelo sol, mas fico-me pelo desejo, porque sinto um cansaço interior maior que o mundo, não tenho já vontade sequer de refilar contra a troika, os ordenados, os bancos, que nos levam o dinheiro que não pedimos emprestado, mas que temos que pagar no nosso ordenado, e estou a lembrar-me dos casos que caducam e que permitem a fuga aos pagamentos das multas já decretadas, só o nosso ordenado não pode fugir aos acertos. Sinto-me triste pela troika e pelo dinheiro que cada português tem que pagar até ao fim dos nossos dias, as reformas vão baixar até 2060, ora eu em 2060 se calhar já não preciso, se fiz agora 58 anos, não quero saber que idade terei, mas deve ser alguma, agora as minhas queridas filhas nessa altura deviam ter esse direito, mas não vão ter. O Estado Social está paulatinamente a acabar, no entanto não nos deixam ficar com o dinheiro que ainda estamos a descontar para essas reformas que vão deixar de existir, estou baralhada e cansada, se pudesse sentir um nico de força organizava uma revolução. Estou um pouco farta de ouvir os financeiros, economistas e outros aldrabões a falarem sobre a dívida, a vida que não vamos ter, porque para vivermos necessitamos de ter algum dinheiro, algum carinho e muito amor.
A minha vida não está facilitada, nem era susposto, mas também não valia a pena tanta coisa na minha cabeça e no meu coração a baralhar-me completamente. Tirei 4 dias de férias, não foi boa ideia, os dias vão fazer-me ficar ainda mais baralhada, não sei o que hei-de fazer, quando me sentir quase a começar a descansar retomo a actividade, ok depois vejo, agora descanso a cabeça, não luto contra o que me chega ao coração e à mente, aceito, afinal hoje é 2ª feira, dia em que o meu avô de avental lavado, gritava no cimo da nossa rua:
Ai quem mi dera morrer!

quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Eleição após eleição

Apetecia-me mostrar a toda a gente as minhas lágrimas, mostrar a toda a gente a dor que tenho guardada no meu coração, mostrar a toda a gente a vontade que tenho em pedir ao Além permissão para mudar de Terra, de País, de vila, apenas a casa, a minha casa e a minha família são para manter, tudo o resto pode ser atirado ao vento.
Estas discussões actuais da dívida, do FMI, do euro, da economia e das finanças, mais o ordenado mínimo fazem-me sentir vergonha. Vergonha de ser, estar, viver em Portugal, na UE no mundo, neste Mundo, por isso preciso tanto sair da Terra e ir viver para outro planeta. Não sou mais capaz de acompanhar as notícias: o ordenado mínimo vai subir 15 euros por mês, mas só para o ano, em Portugal, o país que tem o ordenado mínimo mais pequeno da UE, quem fala desse assunto e parece preocupado, os nossos queridos governantes, não sabem o que é o ordenado mínimo, fazem uma ideia, tão reduzida, do que é sobreviver com essa miséria após um mês de trabalho. Empresa que não pode aumentar 15 euros por mês aos seus trabalhadores não está em boas condições económico-financeiras e já devia ter encerrado.
Estou desiludida com esta gente, exactamente, nós os Portugueses, envergonham-nos diariamente, deixaram de ter brio, orgulho, honestidade, somos um grupo de gente sem carácter, sem princípios. Podem dizer: isso são os nossos governantes! Pois são, mas nós temos toda a culpa que permitimos o seu regresso, eleição após eleição, os melhores de entre nós querem é afastamento da política, querem é distância das vergonhas que se passam nas vendas, nas compras, nas multas que afinal não se pagam porque caducou o processo. Agora até conseguimos vender carruagens para a Venezuela em condições pouco dignas, que ainda está a ser investigado! Afinal? Diariamente os jornais, os telejornais nos mostram e recordam comportamentos vergonhosos, desligo-me da realidade, não sem sentir dentro de mim as lágrimas, não da revolta, mas da vergonha, da tristeza, do orgulho ferido, da inocência roubada. Que dor!

segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Intervalos

A minha vida é feita de dias bons, outros assim assim, por vezes, de dias ansiosos, mas sempre com muita actividade, e nesta altura do ano, cada vez mais aprecio um bom silêncio, um bom descanso, um intervalo, tanto que eu preciso de um intervalo. Este fim-de-semana estive com as minhas pequenas, dormi a sesta com a minha neta e senti-me reconfortada, foi um excelente intervalo. Acho que esse facto, o de ter necessidade de fazer intervalos ao longo do dia tem a ver apenas comigo e não com a minha idade, não é por ter feito 58 anos que me sinto mais exausta, sinto-me exausta porque o dia se mantém inalterado, sempre a trabalhar, o fim-de-semana quando chega já vem tarde. Na verdade, a 2ª feira é um dia difícil, a 3ª feira a existir de via ser feriado, o trabalho sabe bem na 4ª e na 5ª feira, depois a 6ª era mais para preparar o fim-de-semana, não é nada disso que acontece. Trabalho de 2ª a 6ª feira sem intervalos. O que me vale é que a Primavera chegou, o calor já se faz sentir e amanhã é 3ª feira e vai estar bom tempo.
Estou tão cansada que até me custa estar a escrever, por isso vou dormir.
Os dias bons sucedem-se, intervalados com dias assim assim.